Ufa, finalmente de volta. Depois de duas semanas em Sidinêi, voltei renovada, com uma pilha de pepinos para resolver e uma pulga atrás da orelha. Que eu decidi chamar de Carmita – e depois eu explico a escolha do nome.
No final do ano passado, um pouco antes de viajar, passei num cabeleireiro que costumava ir há muito tempo e, botando a conversa em dia, o companheiro dele perguntou se eu estava de volta a São Paulo para ficar. Eis que meu cabeleireiro interrompe:
- A Bia? Não dá pra confiar, quando você pisca, ela tá loira, cantora, secretária de embaixada, morando em Brasília!
Cheio de razão – era tudo verdade. Deu medo. Comecei a pensar qual foi a última vez em que finquei o pé em algum lugar e fiquei. Desde que saí da casa dos meus pais, o lugar onde morei por mais tempo foi durante a faculdade: três anos e meio no mesmo apartamento. Meu emprego mais longo durou um ano e três meses. Namoro? Dois anos e meio.
Bom, com isso a pulga tava ali, instaurada atrás da orelha junto com o ímã que a acupunturista colocou.
Aí viajei. Lá, conheci a nova família da minha irmã, e por algumas vezes ouvi “Por que você não vem morar aqui?”. Mais medo. RAPAZ, PAREM. Pensava no meu apartamento, tão lindo, que acabei de decorar há pouco. Lembrei do meu emprego, menos de três meses trabalhando. Eram razões fortes, mas mesmo essas pareciam, hm, descartáveis. Sem tirar o mérito delas, mas era isso – uma sensação estranha de AI LÁ VOU EU DE NOVO ME MUDAR E IR EMBORA E FAZER FESTA DE DESPEDIDA E TROCAR DE CELULAR E…
Eu ainda não sei o que é isso, se é resquício de sangue beduíno, se eu tenho prego na bunda, se é tormento nos nelvo (como é mesmo que chamam? Fuga?). Só sei que eu estou evitando pensar no assunto. Como desculpa, fiz da minha resolução SOSSEGAR O FACHO por pelo menos um ano. Em 2012 daqui não saio, daqui ninguém me tira.
To doida pra voltar aqui e dizer “BRINKS GALERA, to indo morar em/na/no _______!”.
*Carmita é porque esse destino mui brincalhão botou no meu caminho uma massagista o quê? CIGANA. Que largou do bando dela aos 16 e conhece todos os cantos do mundo. E acha que eu tenho mesmo é que me jogar. Até tu, Carmita, até tu.







me dá tua vaga porque eu tenho esse mermim sangue aí! haha
Tell me about it, amiga! Somos gêmeas: o período mais longo que passei num apê foi 3 anos, o namoro mais longo durou QUASE 2 anos.
Numa janela de 24 meses consegui me mudar 7 vezes (entre países, cidades e logradouros).
Viver assim tem suas vantagens, a vida é rica, os amigos estão em todos os cantos do mundo. Mas viver com saudade constante desgasta e acho que é por isso que meus nelvos acalmaram. Vamos ver quanto tempo dura, né?
Saudade!